Uma parceria entre a
Organovo, empresa que produz bioimpressoras e a Autodesk, que desenvolve
softwares para projetos e design, pode levar a impressão de órgãos humanos para
um novo estágio.

É apenas
questão de tempo para que a humanidade comece a fabricar os primeiros rins,
fígados e pâncreas artificiais. Segundo os especialistas, em duas décadas as
bioimpressoras serão capazes de produzir esses órgãos a partir das
células-tronco de um paciente. Para isso, os cientistas precisarão transformar
as células-tronco em, por exemplo, células do rim e imprimir o tecido camada
por camada, usando uma máquina similar às impressoras 3D que existem no mercado. Um
paciente com problemas em algum órgão não dependeria mais de doações, acabando
com as longas filas de espera por transplante. Hoje, as primeiras
bioimpressoras já estão em pleno funcionamento, mas os cientistas ainda
precisam dominar alguns detalhes técnicos para que órgãos completos comecem a
sair desses equipamentos. No final do ano passado, eles deram um importante
passo para fazer a tecnologia atingir seu potencial.
Em dezembro, foi anunciada uma
parceria entre a Organovo, a primeira – e até agora única – empresa a produzir
bioimpressoras, com a Autodesk, responsável por softwares de design em 3D
usados na arquitetura, engenharia e construção. As companhias pretendem que a
parceria ajude a desenvolver softwares capazes de projetar os tecidos mais
complexos e levar as impressoras a produzir órgãos cada vez maiores. “A
Autodesk vai nos trazer a habilidade de controlar os movimentos de nossa
bioimpressora de modo mais sofisticado, aumentando a variedade de formas e
elementos de arquitetura que podemos construir”, diz Mike Renard,
vice-presidente executivo de operações comerciais da Organovo.
A tecnologia de impressão de
órgãos ainda está em seus primeiros estágios de desenvolvimento. Além da
Organovo, fundada em 2009, apenas algumas universidades investem nesse tipo de
estudo, como a Universidade Cornell, a Wake Forest e a de Columbia, todas nos
Estados Unidos.
As pesquisas começam com a
coleta de células humanas e seu cultivo em laboratório, até que se tenha um
número suficientemente grande para produzir o tecido desejado. “Por meio desse
processo, produzimos o que chamamos de biotinta – uma tinta de feita de células
humanas”, diz Renard. Essa biotinta é colocada nos cartuchos de uma impressora
3D, que deve ser programada, usando o software disponível, para produzir o tipo
certo de tecido.
A máquina usa as “gotas” da
biotinta como pequenos blocos de construção, depositando uma a uma, até formar
a estrutura desejada. Ao lado das células, o dispositivo imprime uma espécie de
gel solúvel, que vai funcionar como um molde e segurar a biotinta em seu lugar.
Depois de um tempo, as células aderem umas às outras e o gel pode ser retirado
sem ameaçar desmanchar o tecido. A partir daí, o próprio código genético das
células faz com que elas assumam suas funções naturais.
Limites
da tecnologia – Por
enquanto, a bioimpressão só é capaz de produzir pequenos pedaços de tecido, que
chegam a apenas 500 micrometros de comprimento, pouco maior que o diâmetro de
um fio de cabelo. “Mesmo assim, estamos imprimindo células de uma grande
variedade de tipos. Já produzimos o tecido de vasos sanguíneos, nervos,
músculos cardíacos, fígados e rins”, afirma o vice-presidente da
Organovo.
O tamanho de um órgão que uma
bioimpressora é capaz de produzir é limitado por dois fatores: as dificuldades
de design e a falta de um sistema vascular no tecido. Todo o corpo humano é
irrigado por vasos sanguíneos capilares, que são muito pequenos e conseguem
atingir todas as células, fornecendo as substâncias que elas precisam para
viver. As bioimpressoras ainda são incapazes de construir esses vasos
capilares, fazendo com que as células no interior de órgãos maiores sejam
incapazes de sobreviver.
Fonte: Veja Abril